terça-feira, 21 de outubro de 2008

Dar limite não é censurar

Durante algum tempo ainda vamos ver o ouvir na mídia muitos especialistas em segurança pública falando, comentando, analisando os erros e acertos da polícia paulista no caso do seqüestro das jovens Eloá e Nayara em Santo André. Sou apenas mais que assistiu a tudo e ficou estarrecido, revoltado e triste com o desfecho de mais um episódio de violência que assola o país.

O que mais me deixou revoltado é a atitude de certos jornalistas e emissoras de televisão que se aproveitam deste tipo de ocasião para alavacarem a audiência. A Sônia Abrão se achando a melhor jornalista do mundo só porque um repórter de seu programa foi um dos primeiros a falar com o seqüestrador.

No Brasil a imprensa é livre, graças a Deus, mas é preciso ter limite. Se não vai ajudar pelo menos não atrapalha. Em poucas horas um boçal com uma arma na mão se transformou em personagem capaz de alavancar audiência de programas que não medem esforços para chamar atenção do público.

É hora de repensar até onde vai a liberdade da imprensa em horas como essas.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Muito Além da Zona Sul

Em política o que mais me revolta é a demagogia de certos políticos. Logo após o primeiro turno das eleições na cidade do Rio de Janeiro o candidato da Frente Carioca, coligação entre PV, PSDB e PPS, Fernando Gabeira foi acusado de ter preconceito com os moradores da Zona Oeste e Zona Suburbana porque teria sido flagrado numa conversa telefônica criticando a vereadora eleita Lucinha da Zona Oeste.
De imediato o seu concorrente, Eduardo Paes, do PMDB, passou a explorar o fato para tentar ganhar votos dos moradores destas regiões e se mostrar como "o candidato dos pobres do subúrbio e da Zona Oeste". Coisa que todos sabem que ele não é. A apelação foi tanta que chegaram a gravar um novo trecho no jingle de sua campanha, onde diz : "sou suburbano, com muito amor".

Uma frase infeliz que Gabeira tenha dito não pode ser encarada pelos eleitores como motivo para mudar ou decidir o voto em Eduardo Paes.

O povo sabe disso e no dia 26, tenho certeza, vai fazer a escolha certa.

sábado, 18 de outubro de 2008

Nascer de Novo

Em um ato que continha muito mais desespero que sensatez, como numa despedida inevitável que chegara sem avisar, apesar dos sinais nítidos emitidos nos últimos tempos que ignorei ao invés de captar, me arrumei e saí, rumei pela Av. General San Martin em direção a Ipanema. Fui em busca de um sopro de vida. Era como se andar me desse a certeza de que continuaria vivo. Cada passo como lenha atirada numa fornalha que ao queimar manteria acesa a chama do meu coração.

Como um fantoche guiado, conduzido por fios presos numa mão suspensa acima de mim, fui puxado ao local onde já fui Rei. O lugar, onde nasceu “o maior sonho da minha vida”. Quando vi a sombra fresca da rua Paul Redfern meus olhos se encheram de lágrimas, que o vento forte e frio tratou logo de conter, secando-as. Eu voltava ao local onde até dez anos atrás era rotina. De tanto ir ali, era quase o dono, conhecia tudo. E por que parei? Bateu um arrependimento...

Eu queria me livrar do estado em que o meu corpo se encontrava, a cura parecia inalcançável. Se a qualquer momento eu perdesse as forças e tombasse alguém haveria de me ajudar, não tinha muito o que fazer, já era tarde demais.

Eu fui revendo “meus cenários”, cada centímetro do chão que um dia foi meu, as árvores frondosas cujas raízes as entrelaçam e as fazem mais fortes, o céu azul sem nuvens, o vento frio e o sol. Minha vida começou ali, num pequeno quarto improvisado, e se tudo acaba onde começou...

Enquanto era jogado de um lado para outro naquele oceano de recordações encontrava o auge da minha vida, meus dias “londrinos”, meus dias nublados, tudo o que amei e que hoje não existe mais. Pessoas que amei com todas as forças e que saíram da minha vida sem dizer um “tchau”, como Mariana – aquela que foi a mais pura de todas as minhas musas - como os meus passarinhos, as partidas de futebol das tardes de sábado e domingo...

Eu prometi muita coisa a mim mesmo naqueles 52 minutos de caminhada. Prometi mudar. Prometi voltar ali mais vezes. Vi nítido o hiato entre a glória absoluta do passado, a felicidade extrema, e o vazio de dor que aquela tarde encerra. Se eu escapasse, se eu tivesse uma segunda chance, se eu pudesse começar de novo...

Prometi fazer diferente. Abracei o simples, como assistir televisão numa tarde de quinta-feira. Eu só pedia uma chance, uminha, para nunca mais errar e começar a fazer tudo diferente. Cai a noite e tudo aparentemente bem. Bem-estar proporcionado por um comprimido de diclofenaco de potássio. Após os efeitos, o medo, a realidade, o fim iminente. Como aceitar o fim? Uma força maior contra a qual quase nada pode-se fazer.

Em busca de ajuda passo em frente ao colégio onde fui feliz do primeiro ao último dia. Tudo escuro, o frio, o medo...fui encarar a realidade.

A demora, a agonia, as lembranças voltam, começo a lembrar dos meus anos de glória, o auge da minha vida, meus sonhos. Bateu o pânico, “será que estou vendo aquele filme da nossa vida que dizem que as pessoas vêem quando estão a um passo da morte?”

Na madrugada fria, a volta para casa, o susto passou. Nasci de novo. Nasceu um novo homem. Com um pé no melhor do passado, onde estão minhas raízes que vão me fortalecer como as frondosas árvores da Avenida Prudente de Morais, cujas raízes crescem envolvendo a própria árvore tornando-a mais forte. Mas, os meus olhos miram para um futuro completamente deferente de tudo o que fiz recentemente.

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